DIVANA

Rajastão

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Actualmente habituados a calcorrear o mundo, a casta dos Manghanyars é, pela sua arte, a ligação entre o antigo refinamento poético e musical das cortes e do mundo tradicional, rural e nómada, onde ela vive actualmente.
Estas castas, que pisaram com os seus pés tanto as pedras do deserto como as lajes de mármore dos palácios dos seus antigos mestres Rajput, fascinam por esta capacidade de ter sabido conservar a extraordinária riqueza de uma herança medieval, quando estes senhores viviam ainda nas suas cidadelas suspensas no cimo de colinas escarpadas.
A rudeza das vozes que, como o oleiro e a sua argila, modelam subtis ornamentos é, à imagem desta característica das mais ricas tradições do nosso planeta – as dessas sociedades rurais e nómadas que possuem ainda um elevado refinamento poético, vestígio de um rico passado.



Nesse paraíso poético que é o antigo país dos rájás (Rajastão : palavra em sânscrito que significa "País dos Príncipes"), país antigamente composto de pequenos reinos e dinastias de guerreiros orgulhosos, a poesia é de uma alucinante beleza. Entre sagrado e profano, Islão precário e hinduismo, esta poesia conta e descreve os deuses e deusas, emanações do mundo sobrenatural, a ausência do amante, mas também a tristeza da jovem noiva longe da sua família, as boas e más colheitas, os sonhos de chuva que virá, os nascimentos e as mortes, os bandidos e salteadores do deserto.
Uma miríade de poesias, hoje ainda, em perfeita osmose com a kamanchiya (a sanfona dos Manghaniyars) ou o sarangui (a sanfona dos Langas eleva-se sinuosa e tórrida e os versos do poeta iluminam a nossa alma « como o firmamento de estrelas na noite ».