Sentimento Gipsy Paganini Ensemble

Hungria


Conjunto Sentimento Gipsy Paganini dirigido por Gyuszia Horváth



“Canta-me Cigana, Canta-me a tua canção
até que as cordas se partam em mil direcções”
Extrato da opereta «A Condessa Marica» de Kalman Imre.



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Designa-se pelo termo «romungro», os «Roms» da Hungria sedentarizados durante as primeiras migrações do Século XV. Foram eles que alimentaram em qualidade, músicos profissionais em Budapeste e nas cidades de província, desenvolvendo uma música dita cigana. Tornaram-se mestres do repertório tradicional húngaro, como o das «palotas», «csardas» ou «verbunkos», os estilos musicais mais correntes.

Os «Romungro», mais integrados que as outras comunidades «roms», reivindicam uma verdadeira educação e no domínio musical estudaram todos, depois da queda da monarquia, nos conservatórios mais prestigiados da Hungria. A sua grande cultura musical permite-lhes assim passar, à sua maneira, do grande repertório clássico (de Litsz a Bartók,) ao ainda muito em voga actualmente, das operetas, ao mesmo tempo que interpretam um grande repertório dito «cigano» que vai da Rússia à Hungria, incluindo todas as regiões balcânicas.

As «csardas» (de «tcharda», «albergue») nasceram no Século XIX e impõem-se enquanto músicas de dança de albergue, praticadas antigamente em casal. Em conformidade com um alinhamento clássico, a «csárdás» compreende uma introdução lenta «lassú», depois uma parte ritmada «friss» ou «friska». Existem também as «csardas» próprias para diferentes instrumentos tais como o clarinete, inventadas por Janos Bihari (1764 - 1827). As «csardas» são inspiradas da «palotas», outra dança nobre muito corrente no início do Século XIX. Esta última influenciará nomeadamente Liszt nas suas Rapsódias húngaras.

No final do Século XVIII e até ao início do XIX, o «verbunkos» (no plural «verbounkoche» de «werbung», «recrutamento» em alemão) representavam estas danças masculinas improvisadas destinadas a alistar os jovens aldeãos para lutar contra o poder do império austro-húngaro. Esta iniciativa tinha por única finalidade aliciar um máximo de jovens proscritos aturdindo-os com música e vinho. Assim, os hussardos dançavam o «verbunkós» de cidade em cidade acompanhados por um ou dois violinos, um címbalo, instrumentos de sopro tais como o clarinete ou a gaita de foles (gajda).

Os Ciganos criaram, a partir desta prática, um estilo musical de pleno direito. Por extensão, esta dança espalhou-se no seio da população em geral para se tornar numa espécie de dança nacional; aliás, no início do Século XVIII, era conhecida muito simplesmente por «magyar», ou seja, «húngara». Inúmeros compositores experimentarão mais tarde este estilo, por entre os quais o famoso compositor e músico cigano Janos Bihari (1764 - 1827) que, compondo oralmente, fazia transcrever por outros a sua música.

É todo este repertório de que o conjunto se inspirará durante este concerto por intermédio das composições que fazem a ligação entre uma tradição musical local e a música clássica através da sua fama europeia, dos «verbunkos», «csardasmagyarnota», «nóta» e «hallgato», essas melodias lentas à moda em meados do Século XIX até às obras de compositores como Janos Bihari, Pista Dankóo (858 - 1903), até Frank Liszt depois Zoltan Kodaly, Bela Bartok e Laszlo Lajtha.